Resolvi contar hoje uma situação que aconteceu comigo na segunda-feira desta semana e que me marcou muito.
Quando voltava do centro de Taguatinga, por volta de 15:00 h, peguei uma lotação e percebi alguém sentar ao meu lado, só senti um odor não muito agradável vindo desta pessoa mas não olhei para ela (como é de meu costume). Passei então a julgar a pessoa, sem olhar para ela, sem conversar para ela, sem nada para ela, somente por ter sentido o odor desagradável.
Abrindo um parênteses, esse comportamento é mais comum do que você deve imaginar e, quando você não se apercebe disto, deste pré-julgamento, deste pré-conceito, você pode está cometendo uma grande injustiça...E quanta injustiça está acontecendo agora enquanto lemos este texto?
Continuando, na metade do caminho a pessoa que sentou-se ao meu lado começou a puxar conversa comigo e eu respondia em monólogos, daquele jeito que não quer alongar conversa. Foi quando ele falou uma coisa que me tocou profundamente... Ele disse que agradecia a Deus por ter conseguido dinheiro para poder pagar o transporte de volta para a casa dele, que tinha saído cedo de casa para ir para o hospital visitar a mulher e que não tinha conseguido arranjar com ninguém o dinheiro para poder pagar o transporte de ida ao hospital, que o que ele tinha só era o suficiente para poder comprar o pão dos filhos dele. Então ele comprou o pão dos filhos e foi, a pé, visitar a mulher no hospital. Para você ter uma idéia é uma distância aproximada de 10 Km, se eu não tiver enganado. Disse que estava acostumado a andar essas distâncias no interior, que andava 3, 4 léguas (1 légua = 6 Km); portanto estava feliz por voltar para casa e poder arrumar algum trabalho para garantir o dia de amanhã dos filhos.
Ao ouvir ele contar eu senti uma culpa, às vezes eu gasto com bobagens, às vezes colocamos em primeiro plano coisas materiais por puro luxo... enfim naquela viagem um senhor humilde me deu uma lição para a minha vida, a primeira lição de vida deste ano.
Quando cheguei em casa me deu uma vontade imensa de procurá-lo, dar meu telefone, meu endereço, para quando ele precisar não andar mais a pé, mas eu tinha que ter tomado a decisão no momento em que ele me contava. Espero poder encontrá-lo pela vida para agradecer a lição!!!
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